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Projeto Escrevendo Sem Medo: Eu ainda Acredito na Bondade das pessoas


Morei em uma cidade pequena ate meus 17 anos de idade, na faixa de 13 mil habitantes, desde pequena sempre fui muito sensitiva, muito gentil com todos. Quando me formei no ensino médio passei direto para a faculdade na capital. surtei de felicidade, aquele era um dos meus maiores sonhos. Fui com meu pai resolver toda a burocracia, na volta para o apartamento, preferir ir a pé para conhecer mais a cidade, resolvemos sentar na praça da piedade, e uma mulher raquitica e gravida se aproximou da gente pedindo dinheiro para se alimentar, tinha apenas 20 reais no bolso, peguei e entreguei aquela garota com um sorriso no rosto, meu pai me olhou torto e vendo-a se afastar ele disse "ela deve usar para comprar drogas". Mas nem todos os moradores de ruas são assim, infelizmente a gente vive numa sociedade onde o discurso de meritocracia é altamente difundido aos ideais capitalistas e nem todos conseguem uma fonte de renda estavel. Saimos da Piedade e formos caminhar em alguns dos bairros proximos, almoçamos e quase chegando ao apartamento eu vi novamente a garota sentada com um cigarro na boca, aquela cena me doeu, vê alguem naquelas condições, gravida e a mercer de uma droga. Meu pai somente me olhou com aquele ar de te avisei.
Com tudo resolvido no dia seguinte pegamos o onibus e voltamos para casa.
Minha mãe estava surtando com o fato da sua filha "bondosa" ir para a selva de pedra. Sempre falava que eu não iria aguentar toda a pressão, que as pessoas são más e iriam se aproveitar de mim. Mas mesmo com essas frases no inicio do mês embarquei no terminal rodoviario.
Depois de quase 1 ano morando naquela cidade, passando por tanta coisa, necessidades, noites em claros no meio de lagrimas, sobrevivi aquilo, meu jeito de pensar mudou muita coisa, meus ideais e modo de ver o mundo e as pessoas. Numa noite voltando para casa a pé por não ter dinheiro para pagar a condução, estava com muito medo de ser assaltada ou até de acontecer algo pior, um senhor que aparentava ter entre 50 e 60 anos de moto taxi parou ao meu lado, no mesmo momento tremi e segurei a bolsa forte.
- Ta indo pra onde moça?
- Estou indo pro Barris senhor
- Sobe na moto então que te levo lá. 
- Não precisa não senhor, eu vou  a pé mesmo.
- Que isso, como uma menina nova dessa esta andando por Salvador uma hora dessas?
- É que não tenho dinheiro para pagar a corrida.
-Eu não vou cobrar de você não, pode subir
Coloquei o capacete, subi na moto e dei um endereço proximo de onde morava. Ele me deixou rapidamente no local indicado, sorrir ao entregar-lhe o capacete.
- Fica com Deus moça e cuidado.
- Muito obrigada pela carona.
Andei mais 5 metros até chegar no prédio, dei boa noite ao porteiro e subi.
Sabe, apesar de tudo que passei na capital, de ver tantas coisas ruins, tantas situações constrangedoras, tantas pessoas sofrendo. Apesar de tudo isso eu ainda acredito na bondade das pessoas, e que um dia isso vai prevalecer na personalidade humana.





2 comentários

  1. A minha história é como a sua, mas a selva de pedra a qual pertenço agora é São Paulo. Vivi a vida toda em uma cidadezinha pequena e sempre fui ensinada a ser bondosa. Antes de me mudar pra cá, recebi todo tipo de aviso do tipo que as pessoas daqui não valem nada e coisas do tipo. Eu tinha um medo do caramba de sair aqui. Fui assaltada duas vezes, mas eu ainda vejo bondade em algumas pessoas sorridentes e simples que vivem escondidas na maior selva de pedra do Brasil.

    Vidas em Preto e Branco

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  2. Seu texto é lindo porque eu também consigo enxergar a bondade nas pessoas, por mais ruim que o mundo está. Sei que em algum lugar o bem ainda prevalece.

    Amei seu post!


    Inclusive, o coloquei no Links do Mês lá no blog <3

    Beijos
    Inverno de 1996

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